Empreendedorismo feminino no franchising

Empreendedorismo feminino no franchising

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Quase metade do segmento é comandado por mulheres e resultados positivos dos últimos anos no mercado de franquias tem relação direta com isso

Já não era sem tempo que as mulheres começam a tomar a frente de negócios e decisões de empresas brasileiras, afinal, elas lutam há décadas por mais igualdade e, principalmente, respeito. Mas, mesmo com números extremamente positivos que beneficiam o público feminino, muita coisa deve ser mudada e, ainda, há um longo caminho a ser percorrido.

No entanto, o crescimento do empoderamento feminino, que marca a luta das mulheres pelo respeito e igualdade, inclusive no âmbito profissional, tem permitido que elas ganhem cada vez mais posições de destaque no mercado de trabalho e, consequentemente, se tornam fortes pilares da economia brasileira.

Em uma época caótica na qual o desrespeito e o machismo prevalecem sobre muitas casas e que as mulheres são brutalmente agredidas e assassinadas por homens que buscam o predomínio de seu poder, mostrar que o público feminino tem sido o grande diferencial nas ações empreendedoras do País é realmente importante.

Para se ter ideia, segundo a pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor), patrocinada pelo Sebrae, o número de mulheres com envolvimento em negócios com até três anos e meio de atuação no mercado chegou a 15,4%, enquanto a participação  masculina alcançou 12,6%. São mais de 8 milhões de mulheres empreendedoras no Brasil, sendo que 43% das empresas nacionais ou são comandadas, ou possuem ao menos uma mulher no quadro societário. Já o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostra que as mulheres ocupam 37% dos cargos de chefia.

Ainda, de acordo com a pesquisa, as mulheres fundaram mais de metade dos novos negócios abertos em 2016. Além disso, os dados apontam que elas são mais escolarizadas do que os homens empreendedores atuando, em especial, no setor de serviços. Neste contexto, temos também que 42% das franquias são administradas pelas mulheres, o sexo forte. Dados da Rizzo Franchise mostram que as franquias operadas por mulheres têm faturamento 32% maior do que aquelas comandadas por homens.

Confirmando o poder feminino dentro do empreendedorismo brasileiro, inclusive no mercado de franquias, dados do levantamento da ABF (Associação Brasileira de Franchising), referentes ao segundo trimestre de 2018, mostram que o setor de “Serviços e Outros Negócios”, no qual a maior parte das mulheres estão inseridas, teve destaque positivo e ocupou a terceira posição, com 8,8% de crescimento.

Outro apontamento importante que corrobora sobre a importância da mulher no mercado de trabalho e na economia nacional, são os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Este estudo revela que de cada dez lares brasileiros, quatro são sustentados por uma mulher.

Empreendedorismo feminino no franchising

A jornalista Mônica Lobenschuss lançou a Social Lounge, primeira rede de franquias de agências de mídias sociais do Brasil. Especialista em vendas e marketing digital, também é colunista da EXAME.COM e palestrante. Começou a empreender do zero há mais de 18 anos, quando fundou a Core. Além disso, é colaboradora do livro Marketing para Executivos Brasileiros, da Saint Paul Editora. Em seu portfólio, conta com as principais empresas do País e multinacionais, como Pirelli, Braskem, Unimed, Aliança HambugSud, National Geographic, Babbo Giovanni, Schincariol, Pernambucanas e Sabesp.

Empreendedorismo feminino no franchisingCaroline Czerwenka Rembowski, também decidiu se aventurar no empreendedorismo e obteve sucesso. Ele investiu em três unidades da 5àsec, rede de lavanderias especializada no tratamento de roupas e produtos têxteis, e uma das 50 maiores franquias do Brasil, na cidade de São Paulo. Formada em Administração de Empresas e com pós-graduação em Comunicação, a empreendedora resolveu investir no próprio negócio após muitas experiências profissionais e com os objetivos de ter mais qualidade de vida e mais tempo para cuidar das filhas pequenas.

Empreendedorismo feminino no franchisingEm 2010, Renata Piazera, fundou a franqueadora Fórmula Animal, junto com seu sócio e marido, Marcelo Piazera. Formada em farmácia, ela decidiu um ramo, até então, desconhecido no País, farmácia de manipulação para pets. Como o setor nem dispunha de consultoria, a empresária teve que começar tudo do zero e contou com ajuda, também, de seus pais, já que ela dava aulas no período da manhã. Com a inauguração da Matriz na cidade de Jaraguá do Sul, Renata foi desaconselhada a em abrir o negócio e ter veterinários locais que não queriam mandar receitas para manipular por acharem que não daria certo devido ao tamanho da cidade. Atualmente a rede conta com 32 unidades.

Empreendedorismo feminino no franchisingCom dez anos de experiência no mercado de turismo e intercâmbio, Mariana Cardoso fundou a Trust Intercâmbio e Turismo, rede que conta com 25 unidades em operação, entres franquias convencionais e microfranquias, por todo o Brasil, além de uma unidade internacional, em Dublin, na Irlanda. A CEO é formada em Turismo pela Faculdade Newton Paiva e pós-graduada em Marketing Organizacional pela UNICAMP.

Empreendedorismo feminino no franchisingA chef Nana Oliveira, que comanda uma hamburgueria artesanal em Blumenau (SC) desde 2014, resolveu abrir uma segunda unidade, o Nana B, trazendo um conceito de fast casual. O negócio deu tão certo que virou modelo de franquia e, em setembro de 2018, inaugurou a primeira unidade franqueada, no Shopping Neumarkt, na mesma cidade, se tornando uma das pioneiras do estilo em Santa Catarina. Nos planos de expansão da franquia já existem mais dois locais na mira da chef. Aos 28 anos resolveu abandonar a carreira no setor têxtil para se aventurar na gastronomia. Hoje, aos 37 e com três filhas, ela já tem três restaurantes abertos.

Empreendedorismo feminino no franchisingOutra história inspiradora é o da empresária Edna Onodera, fundadora da Onodera Estética. Ela começou a oferecer serviços estéticos em um pequeno espaço da academia de seu marido, inspirada pela novela Dancin’Days e seu maior desejo era fazer com que as mulheres se sentissem mais bonitas. Hoje, sua filha Lucy Onodera, é a atual administradora da empresa, que acompanha a mãe desde pequena. A rede tem como diferencial a exigência de uma mulher à frente da operação, seja como franqueada ou gerente.  Com 37 anos de atuação, a marca tem mais de 50 unidades em mais de 10 estados brasileiros.

Empreendedorismo feminino no franchisingO Método Supera, rede pioneira no mercado de cursos de ginástica para o cérebro, conta com uma grande quantidade de mulheres, tanto como franqueadas, como nos cargos de gerência de departamentos e direção operacional da franqueadora. Uma das histórias é da franqueada de Palmas (TO), Leila Jesus, que assumiu uma unidade que estava próxima à falência e, hoje, já é dona de duas das franquias mais bem-sucedidas da rede. Além disso, por seu destaque e de seus resultados, a empreendedora também faz parte do Conselho de Franqueados Supera e ajuda na tomada de decisões junto à presidência.

Empreendedorismo feminino no franchisingEm uma sucessão familiar, que já vem em processo há sete anos, a Calçados Bibi terá, agora, uma mulher como presidente da empresa. O empresário Marlin Kohlrausch, que está há 45 anos à frente do negócio, terminará seu mandato no mês de abril, quando a marca completará 70 anos e, para a sucessão sua filha Andrea Kohlrausch foi indicada pelos diretores e pelo conselho consultivo para ocupar o cargo. Ela tem MBA em Gestão empresarial, pela Fundação Dom Cabral de Minas Gerais; especialização em Liderança, pela FDC/Kellogg School of Management em Evanston (EUA); participação do Instituto de Estudos Empresariais (IEE) e experiência na área internacional.

Empreendedorismo feminino no franchisingSe idade é problema para alguns, para a Vó Sônia, como é carinhosamente conhecida, seus 72 anos não pesaram quando precisou colocar a mão na massa. Em 2009, junto com os filhos, fundou a Casa de Bolos, rede pioneira no segmento de bolos caseiros. No franchising desde 2011, hoje conta com mais de 320 unidades pelo Brasil e com faturamento de R$ 182mi.

Empreendedorismo feminino no franchisingSylvia Barros foi responsável por trazer a rede The Kids Club para o Brasil em 1994. Isso aconteceu quando ela estava em busca de um método eficaz e que ensinasse o inglês para crianças a partir de dois anos. Hoje a rede oferece um programa de imersão no idioma para crianças e jovens entre 18 meses e 12 anos e, em 2018, elevou o faturamento em 15%.

Empreendedorismo feminino no franchisingA rede de intercâmbio World Study, possui 45 unidades em todo o país e, dos 31 colaboradores, 24 são mulheres. Dos dez departamentos existentes na empresa, nove deles contam com a força feminina dividas em cinco na gerência e uma coordenadora nas áreas de marketing, tecnologia, pré-venda, financeiro de programas, Higher Education. Além disso, há mais mulheres como coordenadoras em outros quatro departamentos, sendo, de matrículas, cadastro, expansão de franquias e Departamento de Preparação e Suporte (DEPS). E quando falamos em franquias, os números da rede são ainda mais positivos: são 21 mulheres à frente das unidades, que representam quase 50% da rede.

Por Rafael Gmeiner


Rafael Gmeiner

Jornalista, especialista em Produção de Conteúdo e Assessoria de Imprensa. Atualmente é CEO da Agência VitalCom e do site Mundo das Franquias. Há 20 atuando com Jornalismo e Comunicação, conta sua experiência com passagens por jornais impressos, televisão, rádio e sites, e acumula sete anos no segmento de Franquias

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